Todos aqueles que aspiram ao estatuto de escritor secretamente alimentam a crença de que as suas escritas são o tesouro no covil do dragão, à espera de ser descoberto por algum intrépido editor.
Independentemente do valor ou não da escrita, a maioria encara os concursos literários como instrumentos para atingir fortuna e fama. Se o concurso for ganho, a tão desejada publicação do manuscrito é finalmente concretizada, e não faltará muito para ver o livro em todas as livrarias. Talvez. Ou talvez não.
Há concursos literários e há concursos literários. E é importante que o indivíduo que esteja disposto a arriscar a sua sorte nestes concursos, tenha o discernimento suficiente para saber distinguir o trigo do joio, para saber quando esses concursos estão realmente interessados em promover a literatura e tudo o que esta tem de melhor, ou se não estarão antes interessados em obter dinheiro através de estratégias condenáveis e reprováveis.
Serve este post para alertar os eventuais candidatos a título de escritor de que há concursos que, por detrás de uma fachada de genuíno interesse por divulgação de novos autores, escondem uma ganância e um desejo de engordar o saldo da conta bancária à custa da ingenuidade ou desconhecimento das pessoas.
E quem fala em concursos, fala também de editoras, as verdadeiras responsáveis por essas tácticas dúbias.
Passando a exemplos mais concretos, quando devem desconfiar de um concurso literário ou não?
Se prometer direitos de publicação ao vencedor sem este ter direito a qualquer ónus.
Se implicar a cedência de direitos autorais sem estarem os termos bem definidos.
Se prometer a impressão de uma tiragem limitada e impor ao vencedor o pagamento de “x” quantia de livros impressos.
Se cobrar pela inscrição no concurso. Isso não quer dizer que o concurso seja uma fraude, mas é um sinal de alerta (especialmente em Portugal).
Devem verificar sempre a legitimidade da entidade que está a promover o concurso. Se for uma casa ou instituição de mérito ou prestígio reconhecido, há menos sinais para desconfiar (embora isso não queira dizer que não devam ler SEMPRE o regulamento com a máxima atenção possível).
A maioria das editoras ou entidades que patrocinam estes concursos com segundas e terceiras intenções não têm sequer a capacidade de distribuição para que o livro esteja presente em todas as livrarias nacionais. Acreditem quando se diz que a distribuição é um dos maiores problemas no mercado editorial português e que é difícil obter uma distribuição equitativa e justa em Portugal sem ter que desembolsar uma dolorosa percentagem de lucros. Quanto muito irão colocar em algumas livrarias da zona para que os amigos do vencedor possam comprar.
Isso não quer dizer que uma editora que tenha uma distribuição limitada deva ser desprezada. Muito pelo contrário. Há muitas pequenas e médias editoras que têm desenvolvido um excelente trabalho no campo da literatura, mesmo com meios limitados. Mas quando pedem o vosso dinheiro para publicar algo que, à partida, nenhum escritor deve pagar, então é sinal de que estão a ser enganados e roubados.
O que acontece é que os preços cobrados pelas editoras pagam praticamente a totalidade dos custos de impressão (o principal gasto a cargo da editora) e ainda há uma margem que vai directamente para os seus bolsos. Mais ganham se os amigos dos amigos dos vencedores comprarem.
Lá fora são muito frequentes estes esquemas de angariação de dinheiro, embora em Portugal se tenham começado a fazer notar mais nesta última década. Não vou apontar nomes mas existem. A Épica tem tomado conhecimento de vários casos, e muitos nos pedem conselhos sobre se vale a pena ou não participar em tais concursos.
Recomendamos é que não arrisquem às cegas porque publicação nem sempre é sinónimo de ser-se escritor. Nos últimos tempos, tem sido cada vez mais fácil publicar-se um livro com quase a mesma qualidade que uma casa editorial profissional, por metade dos custos. E é preciso desenvolver a auto-consciência de que nem sempre o que se escreve é bom e publicável, por mais que custe a admiti-lo.
Para obterem mais informações, recomendo a leitura deste artigo da parte do Science Fiction Writers of America sobre as fraudes literárias, concursos e esquemas que têm como alvo escritores.
E não haverá nenhum sitio com uma listagem dos vígaros ou das vigarices? Mas já que puseram a questão, não seria de fazer uma?
Neste post, fornecemos as indicações necessárias para que uma pessoa desconfie desses vígaros. E para qualquer pessoa que nos contacte com dúvidas em relação a um concurso, teremos todo o prazer em averiguar sobre a sua legitimidade.
Mas não faremos listas negras.
As listagens que estão no próprio site da SFWA a que vocês referem e linkam, a meu ver muito bem, são listas negras? E de não aconselhável consulta?
“Lá fora são muito frequentes estes esquemas de angariação de dinheiro, embora em Portugal se tenham começado a fazer notar mais nesta última década.”
Aqui no Brasil, estes esquemas são quase regra. Raramente aparecem exceções.
Texto excelente, ótimo para ajudar com dicas a escritores novos que se arriscam em concursos literários.
9º CONCURSO DE LITERATURA DA FUNDAÇÃO CULTURAL DE CANOAS (RS)
A Fundação Cultural de Canoas (RS) promove o 9º Concurso de Literatura - Conto, Crônica e Poesia, com entrega dos trabalhos até 31 de julho de 2008, SEM TAXA DE INSCRIÇÃO. O primeiro lugar de cada gênero receberá 100 exemplares da coletânea a ser editada, o segundo 50 exemplares, o terceiro 30 exemplares, e as menções honrosas 5 exemplares. Todos os participantes receberão certificado de participação. O regulamento e a ficha de inscrição estão no site http://www.fundacan.com.br ou pelo fone/fax (51) 3059.6938. Os trabalhos premiados estarão integrados à coletânea SEM NENHUM ÔNUS.
Clara Forell
Assessora Cultural da FCC
1. REGULAMENTO
1.1 - Poderão inscrever-se autores do Brasil e de qualquer nacionalidade, desde que enviem o texto em português (Brasil) nos gêneros conto, crônica e poesia.
1.2 - A Fundação Cultural de Canoas receberá inscrições ao Concurso até o dia 31 (trinta e um) de julho de 2008, em sua sede, localizada na Av. Victor Barreto, 2301, Canoas/RS- Brasil, de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, ou através de correio postal.
1.3 - Cada candidato poderá concorrer com até 2 (dois) trabalhos de cada gênero, não sendo permitidos trabalhos já publicados (inclusive na internet) ou premiados, nem serão aceitos plágios de outros trabalhos. O responsável por plágio será desclassificado e, se premiado, obrigado a devolver o prêmio que tiver recebido.
1.4 - Os trabalhos, em três vias, papel formato A4 (297 x 210) com título, páginas numeradas, rubricadas e sob pseudônimo, em fonte Times New Romam, corpo 12, espaço interlinear 1,5. Os trabalhos deverão ser enviados em envelope fechado.
1.5 - Um CD com o respectivo arquivo gravado em formato .doc (Word) deve acompanhar os trabalhos. (Todos no mesmo CD).
1.6 -Um envelope anexo, opaco e rigorosamente fechado, conterá externamente, o pseudônimo do concorrente e o título do trabalho; internamente, a ficha de inscrição com o nome completo e verdadeiro, o número da Carteira de Identidade, CPF, endereço, local e data de nascimento do autor, juntamente com um breve currículo. Na ficha de inscrição deverá constar a assinatura do concorrente autorizando a Fundação Cultural de Canoas a publicar coletânea com o(s) trabalho(s) do autor, caso seja premiado.
1.7- Para os trabalhos enviados pelo correio considerar-se-á, para efeito de atendimento ao prazo de encerramento das inscrições, a data da postagem. A Fundação não se responsabilizará por extravio ou danos por acondicionamento inadequado ou incorreto de qualquer original.
1.8 - Os originais não serão devolvidos.
1.9 - No caso de usar o correio postal, enderece para Fundação Cultural de Canoas, Av. Víctor Barreto, no 2001, CEP 92010-000, Canoas, RS, Brasil.
2. SELEÇÃO E PREMIAÇÃO
2.1 - Os trabalhos serão avaliados até 2 (dois) de setembro de 2008, por uma comissão formada por 3 (três) escritores ou estudiosos de cada um dos gêneros literários, indicados pela Fundação Cultural de Canoas.
2.2 - A comissão terá liberdade de julgamento, sob os aspectos técnicos e estéticos dos trabalhos, sendo-lhe facultado negar a concessão de prêmios, desde que não encontre, nos trabalhos inscritos, méritos suficientes para a premiação.
2.3 - A premiação consistirá no seguinte: O primeiro colocado de cada gênero receberá 100 (cem) exemplares da coletânea que será editada com os trabalhos premiados; o segundo, 50 (cinqüenta); o terceiro 30 (trinta) e as três menções honrosas de cada categoria, 5 (cinco) exemplares. Todos os participantes receberão certificado de participação.
2.4 -Independente da premiação geral do Concurso, serão concedidos mais três prêmios: 10 (dez) exemplares da coletânea para cada autor canoense que apresentar o melhor trabalho em conto, crônica e poesia.
2.5 - O resultado geral será divulgado pela imprensa, pelo http://www.fundacan.com.br na página destaques. Os premiados serão cientificados através de correspondência, e os prêmios serão entregues até janeiro de 2009.
2.6 -Não poderão concorrer pessoas que exerçam cargos ou funções na Fundação Cultural de Canoas.
2.7 -A entrega dos originais ou sua remessa juntamente com a ficha de inscrição, implicará na aceitação, por parte do concorrente, de todas as normas do presente Regulamento.Os casos omissos serão resolvidos pela Comissão Organizadora.
Conforme pode ser constatado no Regulamento acima, a Fundação Cultural de Canoas NÃO COBRA TAXAS DE INSCRIÇÃO e NÃO HÁ ÔNUS para a participação dos premiados na Coletãnea. Vejam mais informações no sítio da entidade: http://www.fundacan.com.br